“O problema está na sociedade e não em nós, velhos. Quando faço 45 anos a sociedade me diz que eu não sirvo para mais nada, não sirvo para produzir, para trabalhar e não tenho direitos. Mas para nós, trabalhadores rurais, isso não existe”. Esse foi o desabafo do Sr. Antônio Rodrigues dos Santos, mais conhecido como Seu Barrinha, 68, de Xique-Xique, região de Irecê, na Bahia. O mesmo pensamento é compartilhado por dona Maria Zélia, 59, de Riachão do Jacuípe, região do Vale do Jacuípe, quando afirma que “ser velho é um rótulo que inventaram para mim”.

Essa prosa boa foi durante o 1º Curso Específico para Pessoas Idosas: Formação Social – Estado, Sociedade, Ideologia e Projetos de Desenvolvimento em disputa, que aconteceu na Organização Fraternal São José, Boa Viagem, Salvador/BA. De 12 a 15 de setembro, idosas e idosos de 15 regiões da Bahia estiveram reunidas/os analisando a vida, o envelhecimento no campo e os atuais desafios frente a quebra de direitos sociais promovidas pelo atual (des)governo.

Para a Secretária de Formação da Fetag-BA, Vânia Marques Pinto, a realização do primeiro curso específico para pessoas idosas acontece num cenário de ataque aos direitos dos/as trabalhadores/as, principalmente as pessoas de mais idade, que pode não chegar a se aposentar. “Dentro do MSTTR falar sobre envelhecimento e os diretos dessas pessoas enquanto sujeitos político e ativos é algo recente e nós precisamos reafirmar essa necessidade principalmente através de cursos formativos. Nesse contexto precisamos garantir o enfrentamento da retirada dos direitos e avançar em novas conquistas”.

O mesmo pensamento é endossado pelo Secretário de Políticas para a Terceira Idade, José Ildo, “a Bahia está fazendo essa formação para o público que merece ser valorizado. Essa formação é a renovação para o movimento sindical. Agora são dois estados no Nordeste a valorizar ainda mais esse público. Lembrando que as temáticas da juventude e da pessoa idosa precisam ser discutidas e trabalhadas para o fortalecimento das políticas públicas e, dentro do movimento sindical em conjunto para o fortalecimento do nosso movimento. ”

Baseado na experiência pernambucana de formação política para pessoas idosas, e seguindo a orientação da Política Nacional de Formação da Enfoc/Contag, a formação, que é modular, teve como proposta fortalecer a luta do Movimento Sindical Rural e a militância das pessoas idosas, considerando e potencializando os respectivos saberes e construindo possibilidades de multiplicação das temáticas que envolvem o envelhecimento autônomo e ativo no campo.

Durante os quatro dias, a discussão foi pautada no envelhecimento no campo, o bioenvelhecimento, as várias faces do Estado e a repercussão da sua ausência na negativa das políticas públicas voltadas para as/os rurais. A conjuntura atual e os impactos no campo e na vida das pessoas idosas que vivem e trabalham nele, bem como a dimensão do sonho e os projetos para a fase idosa também foram abordados.

O debate da sindicalização, que vem enfrentando diversos ataques por parte da classe patronal e do atual governo, foi fortemente discutido. Como alternativa, foi lançada a Gincana da Sindicalização que estimula o debate nos sindicatos e nas comunidades. O grupo retorna à Salvador em outubro para o segundo módulo, onde serão socializados os primeiros resultados da gincana, além dos projetos de vida para essa idade já iniciados, a identificação dos equipamentos públicos voltados para as pessoas idosas e que estrutura os sindicatos possuem para essas pessoas.

FONTE e FOTOS: Rede de Educadoras(es) da Bahia